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Chuvas e equívocos de Kassab provocam caos em São Paulo
Ontem, ainda no período do inverno, caiu uma chuva forte em São Paulo. A cidade ficou inundada, pessoas morreram, o trânsito ficou parado.
O volume de chuvas foi menor do que nos quatro últimos anos, época em que um volume maior de água não causou problemas na cidade como no dia de ontem.
A imprensa traz uma informação preocupante: a Prefeitura diminuiu os gastos com a limpeza pública e o acúmulo de lixo pode ter agravado o problema das enchentes na cidade. Esse é um equivoco inadmissível para um administrador de uma metrópole do porte de São Paulo.
Outro equívoco apontado pelos especialistas é a decisão do prefeito de ampliar as pistas nas marginais. Para Carlos Bocuhy, do Conselho Estadual do Meio Ambiente(Consema) “a massa asfáltica em São Paulo só aumenta na Marginal e com isso o impacto da vazão das águas das chuvas sobre o Tietê se torna maior. A água chega mais rápido e com maiores velocidade e volume”(OESP, 9/9/2009). Tal obra contribuirá, segundo especialistas, com a perda de áreas permeáveis o que ocasionará transbordamentos.
A ampliação das pistas nas marginais é um grande erro por diversas razões. Em primeiro lugar, por diminuir a área de permeabilização do Rio Tietê e agravar o problema de enchente. Em segundo lugar, porque o Rodoanel, assim que for concluído, ajudará a diminuir o tráfego na marginal Tietê. Em terceiro lugar, o volume de recursos gasto nesta obra poderia ser revertido para a construção de linhas de metrô, privilegiando o transporte coletivo.
A atual administração do prefeito Gilberto Kassab retoma um perfil de administração que a cidade não mais aprova: a propensão para grandes obras viárias voltadas para o tráfego de veículos individuais! Começou esta obra e anunciou o desejo de ampliar o túnel sob o Parque do Ibirapuera.
Tanto a obra das marginais, quanto a obra do Túnel do Parque do Ibirapuera não foram discutidas na campanha eleitoral.
O compromisso do prefeito Gilberto Kassab na campanha foi com o investimento em transportes coletivos, investimento da prefeitura em Metrô. Caso esses recursos da ampliação das marginais fossem destinados a ampliação do Metrô, teríamos mais cinco quilômetros de Metrô em São Paulo.
O que marca a troca de prioridades foi o que aconteceu ontem em São Paulo: por falta de limpeza pública, o lixo ficou nas ruas, entrou nos bueiros, entupiu as galerias e a cidade ficou debaixo d’ água. O jornal Agora São Paulo destaca em sua manchete que até o Minhocão, uma via elevada no centro da cidade, teve de ficar duas horas fechada porque estava alagada.
Qual a resposta do Prefeito Gilberto Kassab para essa calamidade?
Paulo Teixeira, deputado federal (PT/SP).