“É preciso discutir a questão das drogas”

Entrevista do antropólogo Edward MacRae à revista Muito, do grupo A Tarde (BA)

Acesso dos usuários de crack ao sistema de saúde

O sistema de saúde do Brasil não precisa de comentários. Mas nós temos um SUS, os EUA não tem. COm isso quero dizer que a coisa está um caos, um horror, mas há uma série de políticas que, bem ou mal, se tenta implentar visando a lidar com esse problema. As políticas são cheias de defeitos, a pobreza é muito grande, a realidade é essa que tá aí, capitalista, não dá para fazer milagres, mas tem gente no Pelourinho trabalhando com isso, a Aliança de Redução de Danos, que faz alguns trabalhos. O CETAD faz atendimentos muito bons de jovens com problemas de drogas. Você tem esse movimento de redução de danos. Isso está muito desenvolvido no Brasil em comparação com o que ocorre em outros lugares, estamos bem a frente. Agora um outro tipo de redução de danos que eu queria mencionar é com uma outra população, a de jovens que frequentam raves.

Coletivo Balance e as raves

Sou orientador do criador do Coletivo Balance (que executa ações de redução de danos em raves). Eu mesmo já não tenho mais idade para passar a noite inteira nas raves, mas eu vou de vez em quando. Há uma demonização dessas drogas e dessas festas com música eletrônica. Agora se você for ver o índice de violência e de outros tipos de problemas associados a essas festas onde há um consumo bastante grande das mais variadas substâncias, você vai ver que é muito menor do que qualquer festa de axé, de pagode, onde há um consumo muito maior de álcool.O problema com o consumo de drogas nessas festas é que devido à situação de clandestinidade, você não tem nenhum controle de qualidade. E as pessoas estão tomando pílulas, gotas, sei lá o que, de sei lá o que. Elas não sabem. O ecstasy virou um termo genérico mas se você for ver o que é que está ali nem sempre é MDMA. E se for muitas vezes vem misturado com N outras coisas. Então uma medida importante de redução de danos que ainda não está sendo implementado no Brasil, por uma série de receios sobre a legalidade da questão, é você testar essas substâncias no local. Tem testes químicos muito rápidos. Então o que acontece na Suíça e em vários outros países é que você tem um estande e as pessoas trazem uma pílula, eles raspam um pouco, botam no reagente e aí você informa à pessoa: olha, isso daí tem isso, isso e isso. Se você quiser você toma. Isso pode parecer maluquice, mas é muito sério e funciona. Controle de qualidade. E daí novamente quando você tem esse serviço, você pode conversar com as pessoas. É o que o Balance faz. Conversa, distribui cartões com dicas de como evitar os maiores danos. Não só com as drogas, mas com o sol, o alto volume de som… Isso daí é um movimento que deve ser levado a sério. Não são os menos privilegiados, como os crackeiros, mas são jovens, é uma população importante que também merece atenção. É uma maneira de introduzir um pensamento a respeito de drogas, o desenvolvimento de uma cultura da droga, no bom sentido. Com valores que visem o bem-estar, etc, etc, etc.

Leia a entrevista completa – http://revistamuito.atarde.com.br/?p=3658

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Um Comentário

  1. Hugo Paiva
    Publicado 3 de junho de 2010 em 13:42 | Permalink | Editar

    Olá a todos @s.

    Quando falamos em discutir a questão das drogas em primeiro lugar precisamos ver a causa, este texto foi tirado da:
    ICRVB-Igreja Cristã Restaurando Vidas no Brasil

    O tema drogas tem sido amplamente discutido na atualidade, não apenas por causa da onda de criminalidade promovida pelo tráfico em muitos lugares do mundo, mas pelo efeito mais devastador dela: a interferência na vida de famílias inteiras, que se vêem, de repente, envolvidas com a questão da dependência química. Qual é a melhor maneira de lidar com esse problema? Essa é uma pergunta ainda não respondida, apesar dos inúmeros tratamentos disponíveis e das tentativas de muitos estudiosos para descobrir remédios e técnicas capazes de ajudar as pessoas a se livrarem do vício. O que eu gostaria de abordar nesse artigo, porém, é outra questão, que também é importante que seja levantada: o que leva uma criança ou um adolescente a experimentar drogas e, eventualmente, a se tornar um dependente químico? É claro que essa é uma pergunta tão difícil quanto saber qual é a melhor forma de lidar com esse problema, mas há alguns mitos sobre essa questão que podem ser discutidos.

    O primeiro deles é o de que os jovens que usam drogas pertencem a famílias “desestruturadas”. Durante muito tempo, a maioria das pessoas achou (e muitas ainda acreditam) que o problema das drogas estava restrito a crianças e adolescentes filhos de pais separados. O que se dizia é que esses filhos, desestabilizados pela separação, recorriam às drogas para esquecer os problemas e fugir do desconforto causado pelo fim do casamento dos pais. Hoje, sabe-se que o uso de drogas (incluindo o cigarro e o álcool, que são as chamadas drogas legais) ocorre tanto em famílias em que os pais estão separados quanto naquelas em que eles estão juntos. Portanto, o divórcio não serve mais como vilão para explicar o uso de drogas entre adolescentes, e outras causas, mais próximas da realidade, devem ser pesquisadas.

    Inúmeras pesquisas têm mostrado, por exemplo, que um dos principais motivos que levam os adolescentes a experimentar as chamadas drogas ilícitas (como a maconha e a cocaína, por exemplo) é a curiosidade pelas sensações que os amigos relatam sentir ou porque querem saber a razão de a droga ser tão consumida, apesar de todo mundo dizer que ela é ruim. Uma segunda causa, muito citada pelos adolescentes usuários de drogas, é a necessidade de aceitação pelo grupo de amigos. Muitas vezes, o jovem está em uma festa com os amigos ou vai a algum lugar à noite onde todos estão consumindo alguma droga. Nesse momento, ele se sente constrangido em dizer que não quer provar ou tem medo de ser rejeitado pelo grupo se não aceitar. Esses dados nos dizem, em primeiro lugar, que um adolescente não sai pelas ruas disposto a experimentar drogas pela primeira vez porque brigou em casa e acha que essa é uma ótima maneira de fugir dos problemas. Ele não conhece os efeitos da droga e as conseqüências que o uso pode trazer e, por isso, ela ainda não é um veículo de fuga. O primeiro contato do adolescente com as drogas costuma ser casual, motivado principalmente pela curiosidade, pelo desejo de experimentar novas sensações e pela pressão do grupo de amigos do qual faz parte. Já o contato com drogas como o cigarro e o álcool costuma ser mais precoce e ocorre, na maioria das vezes, em casa. O fato de os pais beberem ou fumarem torna esses produtos acessíveis à criança, que, também por curiosidade, acaba experimentando-os.

    No entanto, é preciso considerar que, ainda que o primeiro contato com as drogas seja casual, o que faz com que uma criança ou adolescente se torne ou não um dependente químico não é mero acaso. Uma dica importante para isso foi dada em um estudo publicado no Journal of American Medical Association. Nesse estudo norte-americano, os cientistas concluíram que adolescentes que têm ligações emocionais fortes com seus pais ou com professores apresentam uma probabilidade menor de utilizar drogas com freqüência. Isso quer dizer que, quando o indivíduo percebe que é compreendido pela família em casa e sente que tem um canal aberto para dialogar e discutir seus problemas com adultos de confiança, ele tem mais condições de lidar com suas dificuldades sem precisar recorrer às drogas e de se recusar a continuar consumindo-as, ainda que sofra pressão dos amigos. Lidar com o conflito entre se entregar às sensações de prazer imediato que a droga proporciona ou recusar-se em favor da manutenção da saúde é algo realmente difícil. Isso exige do adolescente força de vontade, informação e um local de apoio onde ele possa se sentir seguro para falar sobre essa dificuldade.

    Outro mito da atualidade é o de que os adolescentes têm muitas informações sobre os efeitos das drogas, já que o acesso à TV e a outros meios de comunicação de massa é generalizado e, portanto, todos “sabem bem o que fazem” quando utilizam qualquer substância química. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal da Bahia com adolescentes mostrou um dado interessante: a maioria deles não associa a cerveja ao álcool. Isso significa que, quando eles estão bebendo cerveja, acham que ela é muito diferente das demais bebidas alcoólicas, que é “fraca”, que não é uma droga e que, portanto, pode ser consumida sem qualquer problema. Concepções parecidas são encontradas entre consumidores de ecstasy, uma substância muito utilizada pelos jovens em festas. Para eles, essa droga não vicia e não traz dano algum à saúde, o que é um erro grave. Tudo isso mostra que as informações que os adolescentes têm sobre drogas restringem-se a “drogas fazem mal à saúde”, mas a maioria não sabe dimensionar com clareza que tipo de dano a droga causa ao organismo. Isso indica que crianças e adolescentes precisam receber informações corretas sobre os efeitos das drogas que os ajudem a entendê-los e que os auxilie a decidir por seu uso ou não.

    O grande desafio de pais, educadores e profissionais da área da saúde é desmistificar o usuário de drogas. Ele não é um criminoso, uma pessoa fraca e sem vontade ou alguém perverso. Quando se passa a encarar o uso de drogas como algo que pode acontecer com qualquer um, a necessidade de investimento em prevenção se torna ainda mais importante e passa a ser vista como algo fundamental na família e na escola.

    Fonte: ICRVB-Igreja Cristã Restaurando Vidas no Brasil

    Conclusão: precisamos de prevenção do tipo, anuncios na midia todos os dias avisando que drogas viciam, levam a criminalidade e matam, destroem as familias, o individuo, afastam as pessoas de bem, prevenção é o nome!
    E para aqueles que estão no vicio locais de tratamento e acompanhamento pelo SUS, CAPS, Clinicas e Casas de Recuperação estas duas ultimas mantidas pelo governo, nas escolas o ensino combatendo e ensinando as crianças desde a creche, formando individuos que tenham um futuro longe de qualquer droga seja ela licita ou não, tem que fazer a lei acontecer, antes de criar leis que liberam as drogas, comparando o Brasil que é uma bagunça na saúde com paises de primeiro mundo.

    Fiquem todos na graça e paz de Jesus,
    Hugo Paiva.
    Email: hugod.paiva@hotmail.com


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