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Sistema Cantareira ameaça inundar dezenas de municípios em SP
Do boletim Brasília Confidencial
Os efeitos da abertura das comportas do Sistema Cantareira, ou “descarregamento” na linguagem técnica, podem ir muito além da área definida como “de inundação” das barragens, ocupadas “por descuido” ao longo dos muitos anos de escassez. A Defesa Civil do Estado diz não ter, até o momento, o número de moradores que, já se sabe, serão atingidos por inundações durante o processo, mas um rápido levantamento junto às unidades locais mostra que os prejuízos poderão ser generalizados nos municípios da Bacia.
Em Bragança Paulista, com a cota de vazão em 90 m³ por segundo registrada ontem, a Defesa Civil trabalhava com uma previsão de que a água do rio Jaguari iria inundar até Jaguariúna. A situação mais desesperadora é em Pedreira, que tem a região central cortada pelo rio. Às 23 horas, o sistema de monitoramento em tempo real – que registra dados de chuva e vazão do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) – mostrava pontos de inundação no Rio Atibaia. Foram desalojadas 700 famílias na cidade, no Camanducaia e no trecho urbano do Piracicaba.
A Setesb, que até a semana passada informava sobre a operação do sistema, cancelou qualquer contato com a imprensa e divulgou nota oficial em que “reitera seu compromisso de, no limite da segurança, continuar usando a capacidade de armazenamento dos reservatórios para minimizar os efeitos das chuvas”. Fontes ligadas à área técnica da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, afirmam que esse limite já foi atingido e que a abertura das comportas vem sendo discutida desde agosto com todas as prefeituras envolvidas.
Alguns prefeitos começam a desconfiar que, mais uma vez na história de conflitos pelo uso da água na Bacia, os municípios do interior estão pagando a conta do abastecimento da Grande São Paulo, que tem 55% da população recebendo a água do Cantareira. Com chuvas acima da média desde o inverno de 2009 – que não foi de estiagem -, se perguntam por que o descarregamento não começou antes da chegada do verão, quando poderia ser feito de forma mais lenta e gradual.