Andres Vera, da revista Época
Dez anos separam duas realidades de um mesmo país. Até 2000, Portugal era tomado pela pior epidemia de drogas de sua história – e uma das mais graves da Europa. Hoje, os portugueses orgulham-se de sua bem-sucedida política de descriminalização. Na década de 1990, o país chegou a ter 150 mil viciados em heroína (quase 1,5% da população). Em 2001, o governo português arriscou: descriminalizou a posse individual de todas as drogas, da maconha à heroína. De lá para cá, a polícia portuguesa não prende quem porta pequenas quantidades de droga. No lugar da punição, os usuários flagrados são encaminhados para tratamento. Quando essa decisão foi aprovada pelo Parlamento, temia-se uma explosão no consumo. Mas o que se vê agora é uma queda no uso de todas as drogas e em todas as faixas etárias.
Os números positivos da descriminalização só vieram a público no ano passado, com a publicação de um relatório do Cato Institute. Entre 2001 e 2006, as mortes por overdose caíram de 400 para 290. O registro de pessoas infectadas pelo HIV por compartilhar seringas contaminadas passou de 2 mil para 1.400. Mais importante: Portugal não virou destino para jovens europeus dispostos a se drogar sem que a polícia os incomodasse.
A teoria por trás da política liberal de descriminalização se baseou numa premissa humanista: “Você precisa fazer uma escolha entre tratar o usuário como criminoso ou como um paciente que precisa de ajuda”, diz Manuel Cardoso, diretor do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). Para a lei portuguesa atual, quem é flagrado usando ou portando pequenas quantidades de droga não responde criminalmente. O limite é uma dose suficiente para dez dias de consumo. Se apanhado pela polícia, no entanto, esse usuário será encaminhado para uma “comissão de dissuasão”. No ano passado, cerca de 7.500 portugueses passaram pelas comissões. Um psicólogo, um advogado e um assistente social avaliam o perfil do usuário e recomendam tratamento ou multa. A penalidade para os traficantes em nada mudou. Quem negocia qualquer tipo de droga vai para a cadeia como um criminoso comum.
A medida pode parecer radical, mas seus efeitos mostram que ela teve êxito ao enfrentar a explosão da droga, iniciada nos anos 70, no embalo das mudanças de comportamento que sacudiram o país com a Revolução dos Cravos. Quando Portugal decidiu mudar sua lei antidrogas, em 2001, a Europa carregava na memória as imagens deprimentes de “zumbis” vagando pela Platzspitz, em Zurique, na Suíça. Lá, o que era para ser uma praça pública para os usuários se drogarem de maneira “segura”, com vigilância médica e seringas limpas, transformou-se num parque de diversões para drogados e traficantes. A Suíça reconheceu o fracasso da medida e fechou a praça em 1992.
Leia a reportagem completa – http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI120449-15227,00-A+LICAO+DOS+PORTUGUESES.html




















7 Comentários
Eu não acredito que aqui no Brasil se descriminar a droga,vai diminuir o consumo,pois as pessoas não são iguais e em reagem do mesmo jeito à remedios,climas,comidas e drogas.Tem gente que passa anos fumando e não desenvolve o cancer,já outra não fumaram nunca e tem cancer de garganta ou pulmões,então cada um é um mundo.Então tem como afirmar que aqui as coisas vão acontecer do mesmo jeito que em Portugal.Temos uma cultura totalmente diferente da europeia,uma vida mais ainda e diferença de classes sociais.Mesmo que hoje em dia droga não ver classes socias para viciar e matar.
Hoje nós estamos com uma sindrome muito interressante,liberar tudo e isto é muito perigoso,vemos isto no comportamentos das pessoas.Esta falta de limites está deseducando nossos filhos.Hoje meninas de 11 anos estão tendo filhos,adolescentes frequentando bares até alta horas da noite e bebendo,moças indo para as faculdades quase nuas e quando a direção vai reclamar,são depois processadas pos essas meninas,aviatas de aparecer em jornais,filhos mandando nos pais e eles não podem em dar umas palmatinhas porque são tachados de violentos e os psicologas loga afirmam que ficaram tambémviolentos ou doidos.Então hoje é dificil criar.Liberar as drogas pode ser muito complicado e ninguém etm o poder de dizer ao certo o que pode acontecer.Fazer tratamentos nem sempre tão bons resultados.O que seria possivel fazer é educação,campanhas contra seu uso mais agressivas e diminuir seu processo de fabricação.
Por que drogas “ilegais” sao vendidas e consumidas? Porque ouve e sempre havera procura, e consequentemente a demanda, independente da lei, e justamente essa lei que determina o preço das drogas… quanto mais rigorosa for a lei, mais caro se torna as drogas e mais lucrativa para o crime, muitos jovens morreram e morrem todos os dias na mao de policia e bandido por ir comprar maconha ou cocaina, ate quando vamos ver isso acontecer? As vezes nos cegamos e nao queremos enxengar a verdade. A proibiçao e repressao nem aqui nem em nenhum lugar do mundo se mostrou eficiente, mais na televisao a cada 20 minutos temos propagandas estimulando o consumo de alcool, uma das substancias mais danosas existentes, que causa transtornos sociais bem piores do que a maconha, ate quando vamos “fechar os olhos?” Espero que nao por muito tempo.
Desde que nasci que eu fumo, lá em casa minha mãe nos incentivou a fumar desde os 12 anos. É remédio, tem que saber usar. è bom pra tudo mesmo. As outras drogas eu não sei e também não quero saber, já experimentei de tudo, mas nada se compara a essa plantinha, é uma erva santa. num é pra usar e ir pra rua , beber, fazer sexo, esssas coisas. Ela alivia as dores, faz a gente se sentir confortavel, mais amavel… Igual a amor de mãe.
Quanto a ser educado não sou eu quem vou julgar os outros, educação vem de casa. Mas o que faz mais mau ou é mais perigoso, plantar uma plantinha ou ir na boca de fumo ?
O povo brasileiro, a grande maioria dos que são usuários, seus familiares e os traficantes, infelizmente, a meu ponto de vista não estão preparados psicologicamente, educacionalmente e economicamente para discriminalizar as drogas, pois com essa inconstância política que temos, a população afetada não deixará de ser mais uma vez vítima.
Olha, de uma coisa só eu sei, do jeito que está não dá mais! Acredito eu que uma imensa parcela da violência que tem nos deixado verdadeiramente doentes está direta ou indiretamente ligada ao tráfico de drogas, principalmente com o avanço avassalador do crack em nosso país. Acho mais simples controlar e regulamentar tudo, investir os impostos gerados (que não seria pouca coisa) em saúde e principalmente em educação, que é o grande causador das diferenças sociais e deixa nosso povo sem identidade e cultura. Trabalho com pessoas, de média e baixa classe social (maioria)e o que vejo é falta de informação, de conhecimento.Isso as torna alvos fáceis para todo e qualquer tipo de manipulação. Ainda nos dias de hoje é fácil ver mulheres tendo 6 7, 10 filhos sem ter a mínima condição de cria-los decentemente. O que acham que acontecerá a estas pobres criaturinhas mais adiante? Lógico que cairão no círculo! A mãe terá condição de educa-los? Não, apenas passará a eles a mesma educação (ou pior) que ela mesma teve. Por isso sou a favor de nova política e legislação sobre as drogas, mas com todos os recursos gerados aplicados diretamente à cultura, saúde e principalmente à educação que é a mãe da prevenção.
Olá a todos @s.
Minha pergunta é quem vai fiscalizar o plantio caseiro, como fala a lei o pequeno traficante que vende para sustentar o vicio vai se tornar um produtor, não só para seu consumo mas também para faturar um pouco mais, imagine quantos pequenos traficantes começarão a cultivar esta plantinha que uns defendem como inofensiva, ela vai se diseminar e baratear tal qual o crack, formando mais um grupo de viciados com idade cada vez menor.
concordo com o amigo rodrigo as pessoas generalizam e colocam todas drogas dentro do mesmo saco,enquanto outras também tanto ou mais avassaladoras nem se quer são pautadas.o alcool por exemplo eu nunca vi dizer que um pai de familia bateu espancou a esposa e filhos porque fumou um baseado de maconha.
ou então que atropelou dois e matou mais um por causa do baseado, já fui dependentes de várias drogas e atualmente uso só baseado sei que dependencia quimica não é uma receita de bolo.mas acredito que a primeira experiÊncia da maioria dos consumidores é o alcool e o cigarro