Os Filhos do Pinheirinho

Os Filhos do Pinheirinho


Que quereis vos, petizes inocentes?

Viestes ao mundo de tão insistentes

De tez incerta ou escura qual a noite

Iguaria rara à demência do açoite

Do opressor dos degredados

Pelas garras dos soldados

Eis que roubados da serventia

Pela abundância da mais-valia

*

Vedes que vos negam o futuro

Ó condenados ao cárcere do muro

Inocentes, renitentes, insistentes

Frutos das paixões inconseqüentes

Se pudesse vos devolveria

Ao ventre de Maria

Mãe dos degredados

Esteio dos flagelados

Eis que jamais vos libertaram

Tal qual um dia imaginaram

*

A servidão perdura

Segue em marcha a escravatura

Que quereis então, petizes inocentes?

Viestes ao mundo de tão insistentes

De tez duvidosa ou negra qual carvão

Não esperais que algum vos estenda a mão

Desvanecei, pois, pequenos insistentes

Ousastes nascer, não sois inocentes

*

Eduardo Guimarães



(Do Blog da Cidadania)

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Um Comentário

  1. Alex
    Publicado 31 de janeiro de 2012 em 9:49 | Permalink | Editar

    Estamos do epicentro de uma crise de incapacidade vivida pela sociedade contemporânea que demonstra pouco saber ou nada, para se não resolver ao menos minimizar os efeitos do consumo de drogas, não só a maconha o crack e a cocaína, mas também o consumo de bebidas alcoólicas que dizima famílias em acidentes e atropelamentos, hora por seus efeitos no corpo humano com a cirrose e outras doenças, e pelas conseqüências violentas no ambiente familiar.
    Ma o que importa a dor, se existe o lucro ? Afinal, as chibatadas de outrora serviam para manter a “ordem”….
    Os efeitos, estes, já conhecidos por todos , porém, a dor não é para todos, apenas para alguns, especialmente àqueles desprovidos das condições básicas para viver com dignidade.
    Os aspirantes à elite já sofrem com as conseqüências, hora por ter um filho seu atingido por um projétil feito de chumbo, hora por ter um filho “zumbizando” pela cidade.
    O que fazer? Estar no olho do furacão não possibilita ter uma resposta rápida ou proposta que apresente a solução à curto prazo para o problema.
    Mas, é verdade que a tal luz no fim do túnel, nunca deixou de existir, paradoxalmente, ela nunca foi vista pela maioria dos adolescentes e jovens moradores numa parte da cidade em que a realidade é a convivência dentro de uma “normalidade “ entre a venda e o consumo de drogas, lugar que não existe um limite entre o legal e o ilegal, viver e conviver no sub mundo faz parte do cotidiano.
    O que mudou nos últimos anos? A aglomeração de pobres escravizados pelo crack, estão bem próximo das narinas da elite, deixando a estação da luz sem o “ brilho” de outrora…
    Não havendo mais a senzala e o tronco, é bom que se afastem dali…e para isso vale a chibata, quero dizer, vale cacetetes e bala de borracha…
    Segue em marcha a escravatura…enquanto não chega a primavera por estas bandas, para deixar todos os homens livres.
    “Que quereis então, petizes inocentes?”


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